domingo, 2 de maio de 2010

O Simples Ato de Falar

A língua portuguesa não é tão complicada como a maioria de nós achamos, mas seguem algumas regras que são imprescindíveis para a locução. Como exemplo cito o que foi exposto por Ernani Terra, quando o autor informa que "não existe a roupa ‘certa’, existe, isto sim, o traje adequado". Parafraseando-o para o modo de falar, pode-se afirmar então que não existe o modo de falar "certo", o que existem são situações adequadas.

Ou seja, não vamos falar com um doutor da língua portuguesa, por exemplo, como falamos com o bandido que nos assalta na esquina, correto? Podemos ter uma idéia do que aconteceria se assim o fizéssemos, na piada contada acima, pois Rui Barbosa utiliza argumentos para o ladrão, usando a norma culta, o que não é entendido pelo ladrão. (Segue a "piada" na íntegra, logo abaixo).

Por outro lado, sabemos que é difícil falar igual as pessoas com as quais não nos identificamos (extraído do texto “O certo e o errado na fala de Lula”, de Kátia Modesto Valério), mas como no caso do Lula, conforme descrito pela autora, às vezes somos obrigados a nos apropriar de um linguajar adequado, portanto, devemos ter o cuidado e prestar atenção, pelo menos em situações que exijam de nós que falemos adequadamente. (LINK para a leitura: http://www.senalbamg.org.br/senalba/index.php?option=com_content&task=view&id=19&Itemid=81)


A anedota que narra um suposto roubo de galinhas da casa de Ruy Barbosa, em que ele teria dito ao ladrão:

- Não é pelo bico de bípede, nem pelo valor intrínseco do galináceo, mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se for por mera ignorância, perdôo-te, mas se for para abusar da minha alma prosopopéia, juro pelos tacões metabólicos dos meus calçados que dar-te-ei tamanha bordoada que transformarei sua massa encefálica em cinzas cadavéricas.

Ao que o ladrão responde:

- Seu Rui, é pra levar ou pra largar o frango?


A partir da piada acima, surge a dúvida: quem é o ignorante da vez, O caipira ou o letrado?

Daí surge a necessidade de sabermos que podemos falar o que quisermos, da maneira que quisermos, no entanto, não podemos nunca saber se estamos ou não sendo entendidos. Ou melhor, não podemos na verdade saber que tipo de mensagem foi recebida pelo ouvinte. Essa é a questão.

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